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Tributação para empresas de tecnologia: como reduzir custos fiscais

Tributação para empresas de tecnologia: como reduzir custos fiscais

Por Beorange

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27 de fevereiro de 2026

27 de fevereiro de 2026

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Empresas de tecnologia costumam ter uma gestão financeira mais estruturada do que negócios tradicionais. Mas quando o assunto é gestão de custos fiscais, a realidade mostra um cenário diferente: tributos pagos a mais, regimes inadequados ao modelo de negócio e benefícios legais que nunca foram aproveitados. O custo tributário excessivo raramente aparece de forma óbvia. Ele está escondido em escolhas feitas no momento da abertura da empresa e nunca revisadas desde então.

Por que empresas de tecnologia têm um perfil fiscal diferente

Empresas de tecnologia, especialmente as de modelo SaaS, desenvolvimento de software e prestação de serviços digitais, têm características que as tornam únicas do ponto de vista tributário. A maioria da receita vem de serviços intelectuais ou licenciamento de software, o que significa que a carga tributária incide principalmente sobre o faturamento, e não sobre mercadorias físicas.

Isso tem um impacto direto na escolha do regime tributário. Enquanto empresas de comércio podem se beneficiar dos créditos de ICMS e IPI, uma empresa de software não tem essa compensação. O que sobra, então, é a análise criteriosa de qual regime gera menos imposto sobre o que a empresa efetivamente produz e recebe.

Outro fator relevante é a estrutura de receita recorrente. Contratos de assinatura mensal ou anual, MRR e ARR consolidados, planos escalonados por funcionalidade. Tudo isso precisa ser registrado corretamente para que o cálculo dos tributos reflita a realidade da operação. Quando a contabilidade não entende o modelo, o risco de pagar tributos sobre receitas ainda não realizadas é real.

Os três pontos onde o custo tributário costuma escapar

Regime tributário inadequado ao porte e à margem

A escolha entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real não é uma decisão única e permanente. Ela precisa ser revisada anualmente, antes do prazo de opção em janeiro. E, no caso de empresas de tecnologia, essa análise precisa considerar variáveis que mudam com o crescimento: faturamento bruto, margem operacional, volume de folha de pagamento e tipo de serviço prestado.

Empresas de software que prestam serviços de TI no Simples Nacional podem se enquadrar no Anexo III ou no Anexo V, dependendo da relação entre folha de pagamento e receita bruta, o chamado Fator R. Quando o Fator R é abaixo de 28%, a empresa vai para o Anexo V, com alíquotas significativamente mais altas. Muitos gestores desconhecem isso e pagam mais tributo do que deveriam.

No Lucro Presumido, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é estimada com base em um percentual do faturamento. Para serviços de tecnologia, o percentual presumido é de 32% sobre a receita bruta para o IRPJ. Se a margem real da empresa for inferior a esse percentual, o Lucro Real pode ser mais vantajoso.

Créditos e benefícios fiscais não utilizados

Empresas de tecnologia têm acesso a benefícios fiscais que poucas aproveitam de forma sistemática. A Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005), por exemplo, permite que empresas no Lucro Real que realizam atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico deduzam parte dos gastos qualificados da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para se qualificar, não é necessário ter um laboratório ou departamento de P&D formal. Projetos de desenvolvimento de novos produtos, funcionalidades ou melhorias tecnológicas podem ser elegíveis.

Além disso, a Lei de Informática (Lei nº 8.248/1991 e atualizações) oferece redução do IPI para empresas que produzem hardware e bens de informática com produção nacional. Para empresas de tecnologia que comercializam produtos físicos ou embarcam software em dispositivos, essa pode ser uma fonte de economia relevante.

Na esfera municipal, empresas prestadoras de serviços de TI recolhem ISS com alíquotas que variam entre 2% e 5%, dependendo do município. Nem sempre a empresa está sediada no município mais eficiente para o seu modelo. Isso não significa necessariamente uma mudança de endereço, mas é uma variável que precisa ser avaliada com o suporte jurídico e contábil adequado.

Distribuição de lucros e remuneração dos sócios sem planejamento

A forma como os sócios retiram dinheiro da empresa tem impacto direto na carga tributária total. Quando a distribuição de lucros não está estruturada de forma adequada, é comum que a empresa pague mais pró-labore do que o necessário, o que aumenta os encargos sobre a folha de pagamento sem nenhum benefício adicional.

Lucros distribuídos por empresas no Lucro Presumido e no Lucro Real que apuraram resultado positivo podem ser isentos de imposto de renda na pessoa física do sócio. Isso representa uma vantagem significativa em comparação a outras formas de remuneração. Mas para aproveitar esse benefício, a contabilidade precisa estar em dia e o lucro precisa ter sido apurado formalmente. Não basta apenas lançar uma distribuição no sistema.

Quando a empresa não tem contabilidade atualizada, essa isenção fica em risco. O sócio pode acabar pagando imposto sobre uma distribuição que, se fosse bem documentada, seria legalmente isenta.

O papel do planejamento tributário preventivo

Planejamento tributário não é uma prática para grandes corporações. Para empresas de tecnologia em crescimento, ele é uma necessidade operacional. A diferença entre uma empresa que paga 15% de tributos sobre o faturamento e outra que paga 22% não está no tamanho. Está na qualidade do acompanhamento contábil e na revisão periódica das escolhas tributárias.

Um planejamento tributário eficiente começa com a análise do histórico de faturamento dos últimos 12 meses, da projeção para o próximo exercício e da composição da folha de pagamento. A partir daí, simula-se a carga tributária em cada regime e identifica-se a opção mais eficiente para o perfil da empresa.

Esse processo precisa acontecer antes do fim de janeiro de cada ano, que é quando se encerra o prazo para opção pelo Simples Nacional. Para o Lucro Real e o Lucro Presumido, a opção é exercida com o pagamento da primeira quota do IRPJ do ano. Perder esse prazo significa ficar preso no regime atual por mais 12 meses.

Comparativo: impacto tributário por regime em uma empresa de software

A tabela abaixo ilustra como a carga tributária pode variar em uma empresa de tecnologia com faturamento anual de R$ 1,2 milhão e folha de pagamento equivalente a 25% da receita bruta:

Regime
Alíquota efetiva estimada
Tributos principais incluídos
Observação

Simples Nacional – Anexo III (Fator R ≥ 28%)

11,2% a 14,7%

IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP, ISS

Mais vantajoso se a folha for alta em relação à receita

Simples Nacional – Anexo V (Fator R < 28%)

15,5% a 19,9%

IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP, ISS

Carga elevada; vale analisar alternativas

Lucro Presumido

13,5% a 16,3%

IRPJ (15% + adicional), CSLL, PIS (0,65%), COFINS (3%), ISS

Vantajoso para empresas com margem acima de 32%

Lucro Real

Variável (depende do lucro efetivo)

IRPJ, CSLL, PIS (1,65%), COFINS (7,6%), ISS

Vantajoso quando margem real é baixa ou há prejuízo fiscal

Atenção: os valores são estimativas ilustrativas. O cálculo preciso depende da atividade específica, do município de tributação do ISS e de outros fatores operacionais. Consulte sempre a legislação vigente na Receita Federal e o CGSN para o Simples Nacional.

O que revisar agora mesmo

Algumas perguntas práticas ajudam a identificar onde podem estar os custos tributários ocultos na sua empresa de tecnologia:

O regime tributário atual foi escolhido no momento da abertura da empresa e nunca revisado? Isso é um sinal de alerta. O perfil tributário de uma empresa muda conforme ela cresce, contrata mais funcionários e escala a receita.

A distribuição de lucros está sendo feita com base em resultado apurado formalmente? Se a empresa não tem balancete ou DRE mensal atualizado, essa distribuição pode estar exposta a questionamentos fiscais.

Sua empresa realiza atividades de desenvolvimento de software, automação ou pesquisa aplicada? Se sim, os benefícios da Lei do Bem podem ter sido ignorados por falta de conhecimento. Isso representa créditos que poderiam ter reduzido o imposto dos últimos exercícios.

A alíquota de ISS está sendo aplicada corretamente conforme o tipo de serviço e o município de prestação? Empresas com clientes em múltiplos municípios precisam de atenção redobrada nesse ponto.

Conclusão

Gestão de custos para empresas de tecnologia vai muito além de cortar gastos operacionais. O maior custo tributário oculto raramente está na conta de luz ou no software que ninguém usa. Ele está na forma como a empresa apura, recolhe e estrutura seus tributos. Regime tributário errado, benefícios fiscais ignorados e distribuição de lucros mal documentada são os três pontos que, juntos, podem representar diferenças de 5 a 10 pontos percentuais na carga tributária total.

Revisar essas escolhas com periodicidade, idealmente uma vez por ano antes do prazo de opção tributária, é uma decisão que se paga rapidamente. Se a sua empresa nunca passou por um diagnóstico tributário estruturado, esse é o momento certo para começar. A Beorange oferece uma análise completa do perfil fiscal da sua empresa, identifica onde estão as ineficiências e propõe um caminho mais eficiente, com conformidade e segurança jurídica.

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