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Reforma Tributária

Reforma Tributária: cronograma completo até 2033 e o que sua empresa deve planejar

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Por Beorange

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A Reforma Tributária já é realidade. A Emenda Constitucional 132, aprovada em dezembro de 2023, redesenhou o sistema de tributação sobre o consumo no Brasil e estabeleceu um cronograma de transição que vai até 2033. Não é uma mudança pontual: é a maior reestruturação tributária dos últimos 30 anos.

Para as empresas, o desafio não é só entender o que vai mudar, mas quando e como se preparar para cada etapa. Ignorar o cronograma significa tomar decisões estratégicas com base em um cenário que já não vai existir.

O que é a Reforma Tributária e por que ela importa agora

A Reforma Tributária unifica e simplifica a tributação sobre o consumo. O modelo atual é fragmentado: PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS coexistem com legislações estaduais e municipais distintas, gerando um dos ambientes fiscais mais complexos do mundo.

O novo modelo substitui esses tributos por dois impostos principais:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substitui PIS e COFINS, de competência federal.

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substitui ICMS (estadual) e ISS (municipal), com gestão compartilhada entre estados e municípios.

Além desses, haverá o IS (Imposto Seletivo), incidente sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e itens de alto carbono.

O princípio central do novo sistema é o destino: o imposto passa a ser arrecadado no local onde o consumo acontece, e não mais onde a empresa está localizada. Isso muda significativamente a lógica de planejamento tributário para empresas que vendem para diferentes estados ou municípios.

Cronograma completo da Reforma Tributária (2024 a 2033)

2024 a 2025: regulamentação e preparação

O período posterior à aprovação da Emenda foi dedicado à regulamentação. As leis complementares que detalham o funcionamento do IBS, da CBS e do IS foram publicadas ao longo de 2024 e 2025, definindo alíquotas, regimes especiais, isenções e obrigações acessórias.

Para as empresas, essa fase era de leitura e planejamento: entender o impacto do novo modelo no setor, nas margens e nos fluxos de caixa.

2026: início do período de testes

Em 2026, começa a fase de convivência. A CBS passa a ser cobrada em alíquota reduzida (0,1%) e o IBS também é introduzido de forma simbólica, apenas para testar os sistemas de arrecadação e permitir que empresas e governos calibrem as ferramentas operacionais.

O impacto financeiro direto ainda é pequeno, mas a exigência operacional começa: novas obrigações acessórias, novos campos em notas fiscais e novos sistemas de escrituração.

O que fazer em 2026:

  • Mapear o impacto do novo modelo no setor e nos produtos/serviços da empresa.

  • Adaptar sistemas de ERP e emissão de notas fiscais para os novos campos exigidos.

  • Capacitar o time financeiro e contábil para as novas obrigações.

2027: entrada em vigor gradual do IBS e da CBS

A partir de 2027, as alíquotas do IBS e da CBS começam a subir de forma progressiva. Em paralelo, as alíquotas de PIS, COFINS, ICMS e ISS começam a recuar gradualmente. O sistema entra em uma fase de convivência real: os dois modelos coexistem com peso crescente do novo e peso decrescente do antigo.

O que fazer em 2027:

  • Revisar contratos de fornecimento e precificação para absorver as mudanças nas alíquotas.

  • Avaliar impactos no fluxo de caixa, especialmente para empresas com ciclos longos entre venda e recebimento.

  • Monitorar a regulamentação do regime específico do setor (tecnologia, serviços, saúde etc.).

2028 a 2032: transição progressiva

Essa é a fase mais longa da reforma. A cada ano, o peso do IBS e da CBS aumenta enquanto os tributos antigos são reduzidos proporcionalmente. A velocidade da transição segue uma tabela definida em lei, garantindo previsibilidade para empresas e governos.

Durante esse período, os maiores desafios operacionais estarão na gestão de créditos tributários: empresas que acumularam créditos de PIS/COFINS precisarão monitorar a forma como esses créditos serão aproveitados no novo sistema.

O que fazer entre 2028 e 2032:

  • Auditar créditos tributários acumulados e planejar o aproveitamento.

  • Revisar o planejamento tributário anualmente, acompanhando a tabela de transição.

  • Manter diálogo próximo com a contabilidade para ajustar provisões e estimativas.

2033: sistema totalmente novo em operação

A partir de 2033, os tributos antigos deixam de existir e o sistema opera 100% no novo modelo: IBS, CBS e IS como tributos únicos sobre o consumo. Fim do ICMS, ISS, PIS e COFINS como conhecemos hoje.

Empresarialmente, é o marco de chegada: contratos, precificação, planejamento e compliance já precisam estar completamente adaptados ao novo modelo.

O que muda na prática para empresas de tecnologia

Empresas de tecnologia, especialmente as enquadradas no Lucro Real, serão impactadas em pontos específicos:

Mudança

Impacto prático

ISS substituído pelo IBS

Empresas de serviços passam a recolher no destino, não na sede

Não cumulatividade ampla

Mais créditos aproveitáveis, inclusive sobre aquisição de serviços

Alíquota única por setor

Reduz disputas tributárias e planejamento agressivo por localização

Novas obrigações acessórias

Sistemas de ERP precisam de atualização para os novos campos e declarações

Créditos de PIS/COFINS

Precisam ser mapeados antes da extinção desses tributos

Para SaaS e empresas de serviços digitais, a mudança na competência do ISS para o IBS é especialmente relevante: hoje, a alíquota varia de 2% a 5% conforme o município da sede. Com o IBS, o recolhimento passa a ser no município do tomador do serviço, o que pode alterar a carga tributária dependendo da base de clientes.

Planejamento tributário: o que fazer agora

A reforma não espera. As empresas que saem na frente são as que começam o planejamento antes da obrigatoriedade.

1. Fazer o diagnóstico tributário atual

Mapeie os tributos que incidem hoje sobre a operação, as alíquotas efetivas e os créditos acumulados. Esse é o ponto de partida para estimar o impacto da transição.

2. Simular o impacto do novo modelo

Com base no diagnóstico, simule como ficaria a carga tributária no regime IBS/CBS. A contabilidade consegue fazer essa projeção com os dados operacionais da empresa.

3. Revisar contratos de longo prazo

Contratos plurianuais firmados hoje precisam contemplar cláusulas de reajuste que considerem as mudanças tributárias do período de transição. Ignorar esse ponto cria riscos de margem.

4. Atualizar sistemas financeiros

ERPs, sistemas de emissão de notas e ferramentas de gestão financeira vão precisar de atualizações para suportar os novos tributos. Quanto antes a empresa mapear o que precisa mudar, menor o risco de interrupção operacional.

5. Capacitar o time

A reforma cria conceitos novos: destino como critério de competência, não cumulatividade ampliada, cashback para pessoas físicas de baixa renda. O time financeiro precisa dominar esses conceitos para tomar decisões corretas.

Sua empresa já está mapeando o impacto da Reforma Tributária na operação? A Beorange acompanha empresas de tecnologia no Lucro Real em todas as etapas da transição: do diagnóstico atual à adaptação dos processos contábeis e fiscais para o novo modelo. Fale com a Beorange.

Conclusão

A Reforma Tributária não é uma ameaça para quem se prepara. Para as empresas que entenderem o cronograma, mapearem seus impactos e ajustarem processos com antecedência, o novo sistema pode ser mais previsível e menos custoso do que o atual.

O erro mais comum é tratar a reforma como um problema do futuro. O cronograma começa agora, em 2026, e cada ano traz novas exigências. Planejamento tributário estratégico não começa em 2033: começa hoje.

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