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Lucro Presumido: como funciona, quando é vantajoso e os sinais de que chegou a hora de sair

Lucro Presumido: como funciona, quando é vantajoso e os sinais de que chegou a hora de sair

Por Beorange

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O Lucro Presumido é o regime tributário mais usado por empresas de médio porte no Brasil, e também um dos mais mal compreendidos. Muitas empresas continuam nele por inabilidade de decidir, não por convicção. Outras migram cedo demais, antes de entender o que estão deixando para trás.

Entender como o Lucro Presumido funciona de verdade, e quando ele deixa de ser vantajoso, é uma das decisões tributárias mais importantes que um founder ou CFO pode tomar.

Como o Lucro Presumido funciona

No Lucro Presumido, o governo não tributa o lucro real da empresa. Ele presume qual é o lucro com base em um percentual fixo aplicado sobre a receita bruta, e tributa esse valor presumido.

Essa presunção varia conforme a atividade:

Atividade

Percentual de presunção (IRPJ)

Percentual de presunção (CSLL)

Revenda de mercadorias

8%

12%

Indústria e transporte de cargas

8%

12%

Serviços em geral

32%

32%

Serviços de TI, consultoria, assessoria

32%

32%

Transporte de passageiros

16%

12%

Sobre esse percentual presumido incidem as alíquotas de IRPJ (15%, mais adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20.000/mês) e CSLL (9%).

Exemplo para empresa de tecnologia com faturamento mensal de R$ 100.000:

  • Base de cálculo do IRPJ: 32% de R$ 100.000 = R$ 32.000

  • IRPJ: 15% de R$ 32.000 = R$ 4.800

  • CSLL: 9% de 32% de R$ 100.000 = R$ 2.880

  • PIS (cumulativo): 0,65% de R$ 100.000 = R$ 650

  • COFINS (cumulativo): 3% de R$ 100.000 = R$ 3.000

  • Total tributos federais: R$ 11.330 (11,33% da receita bruta)

Isso antes do ISS, que varia entre 2% e 5% conforme o município e o tipo de serviço.

As vantagens reais do Lucro Presumido

Simplicidade operacional

O Lucro Presumido dispensa a apuração do lucro real. Não é necessário manter escrituração contábil completa para fins de cálculo de IRPJ e CSLL (embora a contabilidade deva existir por outras razões). O cálculo é feito diretamente sobre a receita, sem ajustes, adições, exclusões ou LALUR.

Essa simplicidade se traduz em menor custo contábil e menor risco de erro na apuração.

Previsibilidade da carga tributária

Como o tributo é calculado sobre a receita, não sobre o lucro, a carga é previsível independente de como o mês foi operacionalmente. Isso facilita o planejamento de caixa.

Vantagem quando a margem real é alta

O Lucro Presumido se torna vantajoso quando a margem líquida real da empresa é superior à presunção legal. Para empresas de serviços com margem acima de 32%, o Lucro Presumido tributa menos do que tributaria o Lucro Real.

Uma empresa de software com faturamento de R$ 1.200.000/ano e custo total de R$ 500.000 tem lucro real de R$ 700.000 (58% da receita). No Lucro Presumido, paga IRPJ e CSLL sobre 32% da receita. No Lucro Real, pagaria sobre 58%. A diferença é substancial.

Regime cumulativo de PIS e COFINS

No Lucro Presumido, o PIS e a COFINS são calculados no regime cumulativo: 0,65% e 3%, respectivamente, sem direito a créditos. Para empresas com poucas despesas que geram crédito (como prestadores de serviço com poucos insumos), o regime cumulativo pode ser mais vantajoso do que o não cumulativo do Lucro Real, que tem alíquotas de 1,65% e 7,6%, mas permite descontar créditos.

As desvantagens que ficam escondidas

Não aproveita prejuízo

Empresa com prejuízo operacional no trimestre ainda paga IRPJ e CSLL sobre a receita, porque o tributo é calculado sobre a presunção, não sobre o resultado real. No Lucro Real, um trimestre negativo zera o imposto do período e ainda gera saldo de prejuízo fiscal que pode ser compensado em trimestres futuros.

PIS e COFINS sem créditos

O regime cumulativo do Lucro Presumido impede o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre insumos, serviços contratados, alugueis e depreciação. Para empresas com volume significativo dessas despesas, a alíquota efetiva do Lucro Real não cumulativo pode ser muito menor que os 3,65% do cumulativo.

Distribuição de dividendos isentos tem limite

No Lucro Presumido, a distribuição de dividendos isentos de IRPF está limitada ao lucro apurado na contabilidade ou ao valor resultante da aplicação da presunção sobre a receita. Distribuir dividendos acima desse valor, sem escrituração contábil que suporte o lucro real, é uma das situações mais comuns de autuação em empresas de médio porte.

Limite de faturamento

O Lucro Presumido está vedado para empresas com receita bruta superior a R$ 78 milhões no ano-calendário anterior. Quem ultrapassa esse limite é obrigado a migrar para o Lucro Real a partir do ano seguinte.

Lucro Presumido x Lucro Real: a conta que precisa ser feita

A decisão entre os dois regimes depende de três variáveis principais:

1. Margem líquida da empresa

Se a margem real for maior que a presunção legal (32% para serviços), o Presumido é mais vantajoso no IRPJ e CSLL. Se a margem real for menor que 32%, o Lucro Real tributa menos.

2. Volume de créditos de PIS e COFINS

Empresa com despesas relevantes que geram crédito no não cumulativo (serviços de terceiros, aluguel, licenças de software, depreciação) pode ter alíquota efetiva de PIS e COFINS muito abaixo de 3,65% no Lucro Real. Isso pode inverter a vantagem.

3. Presença de prejuízo fiscal

Se a empresa tem prejuízo acumulado ou passa por períodos de margens baixas, o Lucro Real permite compensar esses resultados. O Presumido tributa sempre, independentemente do desempenho.

Cenário

Lucro Presumido

Lucro Real

Margem líquida acima de 32%

Mais vantajoso

Tributa mais

Margem líquida abaixo de 32%

Tributa mais

Mais vantajoso

Período de prejuízo

Paga imposto mesmo sem lucro

Zera o imposto e gera saldo

Muitas despesas com crédito de PIS/COFINS

PIS/COFINS a 3,65% sem crédito

Alíquota efetiva pode ser menor

Poucas despesas dedutíveis

Vantajoso (cumulativo mais simples)

Perde pouco em créditos, mas tem alíquota maior

Os sinais de que chegou a hora de sair do Lucro Presumido

Não existe data certa para a migração, mas alguns sinais indicam que o Lucro Real começa a fazer mais sentido:

A margem líquida está comprimindo. Empresa que cresceu com margens altas e começou a investir mais em time, infraestrutura e marketing vai ver sua margem cair. Quando a margem real se aproxima de 32%, vale simular o Lucro Real.

As despesas com insumos e serviços de terceiros cresceram significativamente. Empresas que contratam muito serviço com nota fiscal (desenvolvimento terceirizado, agências, auditorias, cloud computing) têm uma base grande de créditos de PIS e COFINS que estão desperdiçando no regime cumulativo.

A empresa está passando por um período de investimento intenso. Quando há capex relevante, mão de obra em expansão e períodos de break-even previsto, o Lucro Real protege contra o pagamento de tributos sobre receita em momentos de baixa ou nenhuma lucratividade.

Uma rodada de investimento está se aproximando. Investidores profissionais esperam demonstrações financeiras com escrituração contábil completa. Mudar para o Lucro Real força a contabilidade a um nível de rigor que facilita o processo de due diligence.

O faturamento está se aproximando de R$ 78 milhões. Nesse caso, a migração não é uma escolha: é uma obrigação. Começar a preparar a contabilidade e os processos antes da obrigatoriedade reduz o impacto da transição.

O que muda operacionalmente na migração

Sair do Lucro Presumido para o Lucro Real exige ajustes que vão além de uma mudança de opção no sistema da Receita Federal.

A empresa precisa manter escrituração contábil completa, com Balanço Patrimonial e DRE mensais. Precisa apurar o IRPJ e a CSLL trimestralmente com base no lucro real (ou mensalmente por estimativa, no regime anual). Precisa montar o LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) e o LACS, e entregar a EFD-Contribuições com os créditos de PIS e COFINS devidamente detalhados.

Isso exige contador com expertise em Lucro Real, e muitas vezes representa um aumento no custo contábil mensal. Esse custo precisa ser ponderado em relação à economia tributária esperada.

A opção pelo regime tributário é feita no início de cada ano-calendário, com o pagamento da primeira quota do IRPJ ou da primeira DCTF. Não é possível mudar de regime no meio do ano.

Não sabe se o Lucro Presumido ainda é o regime certo para sua empresa? A Beorange simula os dois cenários com os números reais da sua operação antes de qualquer decisão. Fale com a Beorange.

Conclusão

O Lucro Presumido é um regime eficiente para empresas com margens altas e estrutura de custos enxuta. Quando essas condições mudam, a vantagem desaparece, e ficar no Presumido passa a representar pagamento de imposto em excesso.

A decisão de mudar de regime não deve ser tomada por intuicão ou por seguir o que outras empresas do setor fazem. Ela precisa ser feita com uma simulação dos dois regimes usando os números reais da empresa, considerando margem, créditos de PIS e COFINS, prejuízos acumulados e o custo operacional de cada opção.

Quem faz essa simulação anualmente tem controle sobre uma das maiores variáveis da saúde financeira da empresa. Quem não faz, paga para descobrir.

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