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Fiscal

Por Beorange
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Pagar menos imposto é o objetivo de toda empresa. O problema é que muitos gestores ou não conhecem os mecanismos legais disponíveis, ou ficam com medo de parecer que estão "sonegando", e aí acabam pagando mais do que precisariam.
Redução de carga tributária por vias legais não é sonegação. É planejamento tributário. E no Brasil, onde o sistema é complexo e as opções são muitas, deixar de fazer esse planejamento é, na prática, pagar uma conta maior do que a necessária.
Para empresas de tecnologia no Lucro Real — o regime mais exigente em termos de escrituração, mas também o que oferece mais ferramentas de gestão tributária — as possibilidades são especialmente relevantes.
Planejamento tributário: o que é e o que não é
Antes de entrar nas estratégias, vale deixar claro o que cabe dentro do planejamento tributário lícito:
Elisão fiscal: uso de mecanismos legais para reduzir ou postergar tributos. É permitida e incentivada pela legislação brasileira.
Evasão fiscal: omissão de informações, fraude ou sonegação. É crime.
Tudo o que será apresentado aqui está dentro da elisão fiscal. São instrumentos previstos em lei, regulamentados pela Receita Federal e utilizados por empresas de todos os portes.
1. Escolha correta do regime tributário
O ponto de partida é o regime tributário. Muitas empresas estão no regime errado — seja porque nunca revisaram, seja porque cresceram e o regime que fazia sentido antes deixou de ser vantajoso.
Os três regimes no Brasil:
Regime | Faturamento anual | Base de tributação |
|---|---|---|
Simples Nacional | Até R$ 4,8 milhões | Alíquota simplificada sobre receita |
Lucro Presumido | Até R$ 78 milhões | Presunção de lucro sobre receita |
Lucro Real | Sem limite | Lucro contábil efetivo |
Para empresas de tecnologia com margens menores ou muitos custos dedutíveis, o Lucro Real costuma ser mais eficiente do que o Lucro Presumido. Já empresas com margens altas e poucos custos podem se beneficiar do Presumido.
A revisão anual do regime é obrigatória para qualquer planejamento tributário sério.
2. Aproveitamento máximo de créditos de PIS e COFINS
No Lucro Real, PIS e COFINS são apurados pelo regime não cumulativo, com alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS) — maiores do que no Presumido. Mas em compensação, a empresa pode aproveitar créditos sobre uma série de insumos e despesas.
Os principais geradores de crédito:
Aquisição de bens para revenda
Aquisição de insumos usados na prestação de serviços
Energia elétrica
Aluguéis de imóveis e equipamentos
Depreciação de bens do ativo imobilizado
Amortização de intangíveis
Muitas empresas de tecnologia subutilizam esses créditos por não terem o cadastro de insumos bem mapeado ou por não registrar corretamente os bens que geram crédito. O resultado é um saldo de PIS/COFINS maior do que o necessário.
3. Compensação de prejuízos fiscais
No Lucro Real, prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores podem ser utilizados para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos períodos seguintes. O limite é de 30% do lucro real do período de compensação.
Essa é uma das vantagens mais relevantes do Lucro Real para empresas que passaram por fases de investimento ou crescimento acelerado com resultado negativo. Os prejuízos ficam registrados no LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) e podem ser utilizados sem prazo de validade — desde que a empresa não mude de regime tributário.
Muitas empresas têm saldo de prejuízos acumulados sem saber ou sem aproveitar. Revisar o LALUR é um passo básico de planejamento.
4. Juros sobre Capital Próprio (JCP)
O Juros sobre Capital Próprio é uma das ferramentas menos conhecidas e mais eficientes de planejamento tributário para empresas no Lucro Real.
O mecanismo permite que a empresa deduza da base do IRPJ e da CSLL um valor calculado sobre o patrimônio líquido, como se tivesse pago "juros" ao próprio capital. Esse valor é dedutível como despesa financeira para a empresa e tributado na mão do sócio pela alíquota de 15% de IRRF — em vez dos 34% que incidiriam sobre o mesmo valor como lucro tributável.
A economia efetiva de IRPJ e CSLL pode chegar a 19 pontos percentuais sobre o valor pago como JCP.
A limitação: o JCP é calculado sobre a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) aplicada ao patrimônio líquido. Em períodos de TJLP baixa, o benefício é menor. Mas mesmo assim, para empresas com patrimônio líquido relevante, o impacto é significativo.
5. Benefícios fiscais para empresas de tecnologia
Além dos mecanismos gerais, empresas de tecnologia têm acesso a benefícios fiscais específicos:
Lei do Bem (Lei 11.196/2005)
Empresa no Lucro Real que investe em pesquisa e desenvolvimento pode deduzir até 80% dos gastos com P&D diretamente da base do IRPJ, além da dedução normal como despesa operacional. Para empresas com projetos inovadores, a economia pode ser expressiva.
Não é necessário aprovação prévia: a empresa registra os gastos, segrega os projetos e faz a dedução na ECF (Escrituração Contábil Fiscal).
Rota 2030 e outros programas setoriais
Setores específicos de tecnologia têm regimes diferenciados. Empresas de desenvolvimento de software, automação industrial e TIC podem ter acesso a regimes especiais dependendo do estado e do segmento.
Incentivos estaduais de ICMS para serviços de TI
Algunos estados oferecem redução de base de cálculo ou isenção de ICMS para serviços de tecnologia. Vale verificar a legislação do estado onde a empresa está sediada.
6. Estrutura societária e distribuição de resultados
A forma como os resultados são distribuídos entre sócios e a estrutura societária da empresa também afetam a carga tributária total do grupo.
Algumas situações que merecem análise:
Holding patrimonial: separar o patrimônio (imóveis, participações) da operação da empresa pode reduzir a tributação sobre rendimentos passivos.
Sócios pessoa jurídica: em alguns casos, estruturar a participação societária por meio de holdings pode ser mais eficiente do que a participação direta de pessoas físicas.
Remuneração dos sócios: a combinação correta de pró-labore e distribuição de lucros afeta o custo previdenciário e o IRPF dos sócios.
Essas decisões devem ser tomadas com base em análise contábil e jurídica específica, pois dependem da situação individual de cada empresa e de cada sócio.
Quer entender qual desses mecanismos se aplica à sua empresa? A Beorange faz o diagnóstico tributário completo para empresas de tecnologia no Lucro Real e identifica onde há oportunidade de redução legal da carga. Fale com a Beorange.
Conclusão
Reduzir a carga tributária de forma legal não é privilégio de grandes empresas com departamentos jurídicos dedicados. É uma questão de conhecer as ferramentas disponíveis e ter uma contabilidade que trabalha ativamente nessa frente.
Os mecanismos existem, estão previstos em lei e são utilizados por empresas bem estruturadas todos os dias. A diferença entre pagar o imposto correto e pagar além do necessário quase sempre está na qualidade do planejamento tributário — e no parceiro contábil escolhido para fazê-lo.
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